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pediatria.

O internato do curso de medicina nos dá a oportunidade de passar, durante quatro meses, pelo serviço de pediatria. Em dezembro, estarei no meu último mês desse serviço, mais precisamente na neonatologia, mas já posso, contudo, relatar algumas das minhas impressões a cerca desses meses de experiência.

Em primeiro lugar, a constatação óbvia: pediatria não é para mim. Crianças são bonitinhas, fofinhas e cuti-cuti, e por isso morro de caducá-las, mas prefiro devolvê-las às mães em poucos minutos e não ter nenhuma responsabilidade sobre aquelas coisinhas tão bonitinhas, fofinhas e cuti-cuti. São perfeitas, até o momentos em que choram ou ficam doentes. Então, no way.

Em segundo lugar, a constatação mais triste: as mães não sabem mais criar os filhos. Gente, o que é isso? As crianças de três anos- eu disse TRÊS - determinam que o jantar será pizza e que no almoço terá coca cola e os pais obedecem. E pior, chegam na consulta dizendo: "meu filho só come besteira, doutora".  É? Então certamente a criança de TRÊS anos trabalha, tem independência e compra suas besteiras com seu próprio dinheiro. Sim, pois a comida inadequada não chegaria de cegonha na geladeira, não é mesmo? ¬¬' Isso me faz lembrar aquela cena clássica de supermercado: uma criança pequena - de 2 ou 3 anos - sentada dentro do carrinho de compras e se deliciando com aquele pacotão de fandangos acomodado confortavelmente no meio das pernas.

Por fim, como se não bastasse ser médico, o pediatra assume o papel de pai/mãe dos pais, para ensiná-los regras básicas de como se cria uma criança. É justo, isso?

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